institucionalização do idoso/ estado depressivo

1-    Introdução

 

O artigo que me proponho a fazer surge no seguimento da disciplina de Psicologia do Adulto e do Idoso, do curso de Educação Social (pós-laboral), no ano lectivo de 2007/2008.

Com decorrer das aulas ficamos a conhecer as principais mudanças que ocorrem nos adultos e durante o seu processo de envelhecimento, algo que como futuros educadores sociais revela-se de extrema importância visto serem uma população com a qual iremos ou poderemos trabalhar.

Como é do senso comum, sabemos hoje em dia que a população idosa tem aumentado exponencialmente, e isso verifica-se no nosso quotidiano, devendo-se sobretudo as melhorias das condições de vida e aos progressos médicos.

Como tal este aumento da esperança média de vida e crescente aumento da população idosa vão surgir novos problemas sociais, para os quais o estado tem o dever de apoiar e são direitos que vêm consagrados Constituição da República no seu artigo 72º referente à terceira idade e que nos dizem então:

1.    “As pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social”.

2.     “A política de terceira idade engloba medidas de carácter económico, social e cultural tendentes a proporcionar às pessoas idosas oportunidades de realização pessoal, através de uma participação activa na vida da comunidade”.

Mas além de ser um possível problema social a velhice é um processo pessoal de uma profunda mudança com a qual nem sempre é fácil de gerir por parte do indivíduo.

Diversos problemas surgem associados a esta faixa etária sendo a depressão um dos que mais frequentemente surge ligado a esta população tendo verificado isso após uma breve pesquisa bibliográfica. Como tal proponho-me a analisar o tema da depressão no idoso e elaborar uma pequena reflexão sobre o mesmo. Pretendo aliás e seguindo alguns estudos que encontrei analisar o sentimento de depressão no idoso institucionalizado.

Assim é importante colocar a questão “ De que forma a institucionalização do idoso interfere no estado depressivo?”. Para responder a esta questão irei comparar alguns artigos científicos.

 

2-Enquadramento teórico

 

Conforme foi mencionado anteriormente pretendo com este artigo aferir de que forma a institucionalização do idoso interfere no estado depressivo e como tal será necessário antes de mais definir alguns conceitos como velhice, institucionalização e depressão.

 

 

 

 

 

 

2.1- Velhice

 

Existem vários autores que definem velhice, mas resolvi destacar aqui o conceito de velhice segundo a organização mundial de saúde que define velhice como “prolongamento e término de um processo representado por um conjunto de modificações fitomórficas e psicológicas ininterruptas à acção do tempo sobre as pessoas”.

Também segundo Fernandes (2000) pode definir-se velhice como “um processo “inelutável” caracterizado por um conjunto complexo de factores fisiológicos, psicológicos e sociais específicos em cada indivíduo, podendo ser considerada o “coroamento” das etapas da vida.” Considera também que é um conceito muito controverso de definir mas ressalta três conceitos diferentes:

·         O da idade cronológica, ou seja, corresponde à idade oficial do indivíduo, dada pelo bilhete de identidade;

·         O da idade biológica, correspondente ao estado orgânico e funcional dos diferentes órgãos, aparelhos e sistemas;

·         O de estado psicológico, que pode não depender da idade nem do estado orgânico.

Diz-nos por fim que velhice não é uma doença mas sim a comprovação de que houve suficiente saúde para a atingir.

 

2.2-Institucionalização

 

Segundo Fernandes (2000, p.47) “na medida em que as incapacidades físicas e psicológicas da pessoa idosa aumentam e as capacidades do meio ambiente diminuem, torna-se necessário, encarar a hipótese de internamento numa instituição.”

Assim segundo Busse citado por Fernandes (2000, p.47) refere que “geralmente é uma combinação de crescente debilidade da pessoa idosa e recursos financeiros e emocionais decrescentes dos membros da família que levanta a questão emocionalmente difícil de uma institucionalização.”

De referir que os serviços institucionais representam segundo a autora um recurso importante para os idosos mas é necessário evitar que uma vez o idoso institucionalizado todos os seus factores negativos como:

·         A despersonalização (pouca privacidade)

·         A desinserção familiar e comunitária

·         O tratamento massificado

·         A vida monótona e rotineira que trata todos os idosos de igual forma

Considera-se portanto que a institucionalização tem riscos e perigos que podem causar danos graves à auto-estima e integração do idoso na sociedade.

 

 

2.3- Depressão

 

 Depressão será outro conceito de difícil definição e com variadas abordagens por diversos autores. Segundo Chaves a depressão é muito mais do que um sentimento ou uma emoção. Tem potencialidade para ser uma doença mental grave e incapacitante, podendo interferir em todos os aspectos do dia-a-dia de uma pessoa.

Na perspectiva de Barreto citado por Fernandes (2000, p.57) o termo depressão pode designar uma doença, síndrome, um sintoma ou, inclusivamente, um simples estado afectivo – a tristeza.

Já segundo a perspectiva de Teixeira e Branco igualmente citado por Fernandes (2000, p.58) a depressão é um estado de elevada complexidade sendo possível a detecção de diversos componentes como a ansiedade, a agitação, a preocupação, a dor mental e sentimentos de culpa, vivencia forte e continua de infelicidade onde o presente é rejeitado por ideias de indignidade e de ruína e onde o futuro se encontra completamente bloqueado devido a ideias de catástrofe eminente de ruína e de morte.

De referir ainda que segundo a enciclopédia concisa de psiquiatria o termo depressão pode ser utilizado com três sentidos diferentes: para descrever um estado de espírito, para definir uma síndrome e para definir uma doença.

 

3-Análise dos estudos

 

De alguns dos artigos que li resolvi analisar dois que me pareceram mais relevantes.

Assim sendo Santana e Filho (2007) realizaram um estudo epidemiológico de corte transversal em duas instituições asilares na Cidade do Salvador, sendo uma pública e outra filantrópica, ambas contando com uma equipa multidisciplinar formada por médico, nutricionista, fisioterapeuta, assistente social, enfermeiro e auxiliar de enfermagem. Após esclarecimentos sobre o objectivo do estudo e aceitabilidade em participar da pesquisa, foi aplicado um questionário semi-estruturado, em forma de entrevista com cada idoso individualmente.

Na conclusão deste estudo verificou-se que a prevalência de sintomas depressivos foi maior em idosos com idade acima de 80 anos, quando comparada àqueles com idade entre 60 e 80 anos. Deduz-se assim que sujeitos com 80 anos tenham um pior estado de saúde que os sexagenários, e que este estado de saúde mais precário leve a um maior risco de sintomas depressivos entre os “idosos-idosos” do que entre os “idosos jovens”. Outra conclusão do estudo que tem alguma relevância para a nossa pergunta de partida é relativamente ao uso do anti-depressivo. Não foi demonstrada nenhuma relação directa entre a baixa prevalência de depressão e a utilização de medicação anti-depressiva, sendo o uso de anti-depressivo, no presente estudo, de apenas 4,5%. Talvez este pouco uso de anti-depressivo se deva às características e intervenções terapêuticas existentes na instituição ou mesmo o não reconhecimento do quadro depressivo desses idosos institucionalizados por parte da equipe multidisciplinar.

Num outro estudo sobre depressão em idosos institucionalizados realizado por Nunes, Peixoto e Bruno (2006) chegam a conclusão que a maioria dos idosos institucionalizados possui depressão e que a falta dos familiares, o sedentarismo e a suposta invalidez os deprimem.

Concluem assim que são necessárias novas técnicas e actividades para inverter esta situação de depressão em idosos institucionalizados.

 

 

 

4- Conclusão

 

Após a realização deste trabalho fico com a ideia de que existe alguma prevalência de depressão em idosos institucionalizados, mas acredito que conforme diz Fernandes (2000, p.48) o idoso deve ser sensibilizado a realizar actividades que aumentem a sua actividade física e mental para não adquirir uma atitude passiva ou de queixas. Como futuros educadores sociais devemos promover junto das instituições com as quais trabalharmos projectos de uma verdadeira autonomia e independência para com os idosos para estes não caírem na rotina, no isolamento, solidão e na inactividade que possivelmente o levará a um estado de inutilidade e depressivo.

Responses

  1. Exmos Srs.
    venho denotando em mim, factos que tudo indica, estar a entrar num estado depressivo e com uma a forte acentuação para o isolamento.
    tenho algum receio em me manifestar aos proficionais de saude por vergonha de ser mal interpretado.
    em termos de aconselhamento solicitava umas diretrizes de Vossas Exªs para um inicio de resolução do meu problema.
    queram aceitar os meus sinceros agradecimentos
    o meu muito obrigado

  2. Tanto minha mãe quanto minha sogra, ambas viúvas, tem 80 anos de idade. Minha mãe desde sempre foi uma pessoa mal humorada e pessimista, características que se agravaram com a idade. Tentei de tudo para melhorar seu estado de ânimo, mas foi em vão. Levei-a a festinhas, à restaurantes, à cinemas, lhe dei livros (gostava muito de ler quando jovem, mas seu interesse diminui muito), etc. Seu único interesse é se lamentar e se queixar de problemas de saúde. Minha sogra, bem mais inculta, também só fala em doenças e remédios. Sempre que meu marido vai visitá-la, ela vai lhe mostrar os remédios e falar que doi aqui, dói ali. Tentamos mudar de assunto em vão. Por fim, ele se afasta sob qq pretexto e ela cochica para mim: “Ele não gosta que eu me queixe e fale de doenças” Ora, então, por que fala? Pergunto-lhe se deseja ver uns filmes e ela recusa. Passo a crer que gostam de se fazer de vitimas e de usarem sua velhice para manipularem as pessoas e as fazerem se sentir mal. É muito difícil encontrar um idoso com uma postura positiva, uma conversa agradável. Só se interessam mesmo por suas doenças, queixas e lamentações. Me deprimem tanto que tenho pavor do envelhecimento. Preferia morrer antes.

  3. Apesar de curto, considerei o seu artigo interessante, e se possível, gostaria de saber a bibliografia utilizada para consulta. Desde já agradeço.

  4. Olá! Gostei muito deste seu olhares.
    Será que me poderia dizer quem é o autor e a data?
    Aguardo resposta,
    Obrigada!

    • Boa tarde. Como deve ter reparado elaborei este artigo no âmbito de uma unidade curricular da minha licenciatura no ano 2007!!! Contudo e tendo em conta a distancia temporal já não encontro (no meio da confusão que é o meu arquivo) os estudos e bibliografia em que me baseei.

      Cumprimentos


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